Memórias da Primeira Infância - Parte I

Começarei com este pensamento: MUDANÇAS SÃO INEVITÁVEIS. E tentarei voltar atrás no tempo o máximo possível. É importante para mim traçar minha vida de volta às minhas origens (Um pouquinho de história aqui; então, por favor, tenha paciência comigo).

E do que me lembro?

Pois é, lá estava eu, no estado do Rio de Janeiro, Brasil (Foi lá onde nasci e vivi até meus trinta e poucos anos. Você pode procurá-lo no mapa, caso não consiga visualizá-lo em sua mente).
Minhas primeiras memórias de infância me trazem de volta à idade pré-escolar.


Minha primeira festa de aniversário - 1964
(Eu queria mexer nos coelhinhos do bolo) 

Meu pai era um oficial da Marinha do Brasil.

            
             Papai (primeiro à esquerda)- Formatura na Escola Naval (RJ)

Minha mãe era professora. 

                         
                         Formatura da Mamãe 



Baile de Formatura de Papai - Escola Naval



                       
                            Dia do Casamento dos meus pais



Morávamos em um apartamento e eu era filha única.

Papai, ​​Mamãe e eu - 1968

Papai viajava quase o tempo todo. Sempre que ele voltava para casa, eu ficava tão emocionada em vê-lo! Ele me levava à praia ou ao parque. Minha melhor lembrança de papai eram as histórias que me contava de noite. Ele me pegava no colo e me carregava de um lado para o outro pelo corredor, minha cabeça em seu ombro, meus bracinhos à volta do seu pescoço. Ele me contava histórias que inventava sobre pequenos animais, como coelhos e preás. Papai tinha um truque para descobrir se eu estava dormindo ou acordada: ele mudava um pouco a história ou o nome dos personagens. Se eu parasse de corrigi-lo, significava que tinha adormecido, e aí ele gentilmente me colocava na cama.
Mamãe era amorosa, alegre e emocional. Ela adorava cantar e sempre havia música tocando no rádio ou no toca-discos. Mamãe trabalhava o dia inteiro na escola primária e, às vezes à noite, ensinando estudantes adultos. Lembro-me de ter babás a maior parte do tempo enquanto ela estava no trabalho. Muitas vezes eu chorava — sentia muita a sua falta.
O lado positivo disso era aguardar com ansiedade os fins de semana de sol! Isso significava que iríamos à praia a pé (cerca de 1,6 km), com meus primos e amigos. Mamãe trazia água, pão francês com manteiga cortado em pedaços, laranjas e bananas para fazermos um lanche durante o nosso curto intervalo de brincar na areia e na água. Às vezes, ela comprava picolés, pirulitos e alguns biscoitos arejados em forma de rosquinha, anunciados  ("Picolé-colé-colé! Óia o tringuilim-guilim-guilim!") por vendedores que iam andando pela praia com suas caixas de isopor e guloseimas a tiracolo. Em alguns fins de semana, mamãe nos levava ao cinema, ao teatro infantil, festivais, parques de diversões, zoológico e desfiles de rua. Uma vez ela até nos levou a um 'Disney Holiday on Ice'!
Não íamos à igreja aos domingos, mas mamãe sempre entrava na igreja católica do bairro. Ali nos ajoelhávamos para orar o ‘Pai Nosso’, ‘Ave Maria’ e terminávamos fazendo o sinal da Santa Cruz sobre nossas testas e peito, dizendo: "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém ". Na minha família, as pessoas costumavam usar frases como 'Graças a Deus', 'Se Deus quiser', 'Que Deus o abençoe', 'Vá com Deus', 'Fique com Deus', 'Durma com Deus e os anjos'. Mamãe tinha uma Bíblia Sagrada em um suporte de livros sobre o piano, mas não tenho nenhuma recordação de mamãe lendo a Bíblia. Às vezes, eu folheava as páginas e olhava as ilustrações coloridas, imaginando quem seriam essas pessoas e por que Jesus estava sangrando na cruz. Aquelas imagens me deixavam assustada e triste.
Quando tinha quatro anos, pedi à minha mãe que me ensinasse a ler e escrever. E ela me ensinou. Papai ficou impressionado.
Aos seis anos, perdi meu pai. Ele morreu em um acidente de carro. Não me levaram ao funeral.  Foi como se Papai tivesse ido viajar de novo, só que, desta vez, nunca mais iria mais voltar. 

Papai

Lembro que cheguei perto da minha mãe — seus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar — e perguntei: “Mamãe, eu vou ser feliz?”
Tentando sorrir em meio às lágrimas, mamãe me disse: 'Sim, com certeza você será feliz!' E logo saí correndo para brincar com meus brinquedos. A resposta da minha mãe me pareceu ser suficiente no momento.
E, assim, continuei vivendo. E viver traz mudanças inevitáveis.
Como essas mudanças se vinculam à depressão mais tarde em nossas vidas? Só consigo supor que, no meu caso, a perda de papai tenha intimamente levado meu coração à busca de um pai, de uma figura paterna. Eu não tinha consciência disso, mas agora posso ver claramente que minha suposição procede. (Escreverei mais a esse respeito no futuro.)
Como terminar esta postagem com uma nota positiva? Avançando rapidamente até o futuro, eu me vi navegando para longe das tempestuosas águas de lágrimas e medos ... Depois de toda tristeza e luta, descobri um PAI que nunca nos deixa ou abandona. Mesmo quando não sentimos Sua presença, Ele está sempre presente. Ouvi dizer que Jesus Cristo é o único caminho, verdade e vida. O único caminho para o PAI. E cheguei ao ponto de aceitar essa verdade).
Percebi que MUDANÇAS SÃO INEVITÁVEIS, mas mudanças podem, de fato, trazer libertação e segurança. Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, que nos amou primeiro.
E, se eu morrer hoje, sei exatamente aonde irei: direto para os braços de Deus, o sempre-presente Papai que me carregará em seus braços e me contará as mais belas histórias enquanto eu deito minha cabeça em Seu ombro ...

 Até lá, a jornada desta vida continua ...

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